O discreto sorriso das comprometidas

Há, nas mulheres comprometidas mas infelizes, o terrível sorriso das esperanças. Pelo menos, para aquelas que ainda não se esqueceram de querer ter algo que, por ora, não têm.
Dão-se a esses sorrisos nos lugares mais intensos, como os elevadores do El Corte Inglès, nos semáforos, nos passeios onde, depois, se encostam aos prédios e seguem o caminho como se tivessem recebido um chamado do 112 da culpa.
Há nas mulheres infelizes o terrível peso social de não puderem deixar. Deixar o que seja, os oitocentos euros, os filhos, o imbecil que gosta do Benfica e da cerveja. Há nessas mulheres um pedaço de esperança interessante, uma música dos Quadrilha ou do Zé Mário Branco, a melhor melodia do Fausto ou da banda sonora do Amélie. Mas há também nelas o profundo desejo de um beijo antes do ventre, de um sorriso antes do mamilo, de um olá antes do corpo pesado com que se casaram se deitar no sofá da sala.
Falta-lhes, assim, a valsa a três passos. Mas essa, só um marcial as dá. Valha-nos Deolinda e o festão.







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