Toda a Verdade



Há uma coragem e rasgo que estes tipos mostram todas as semanas. Não são PCs como os Gato Fedorento. Estes têm, além de graça, uma mordacidade que dificilmente vingará em audiências. Os tempos não estão para liberdade de pensamento. Mas sabe tão bem ver que ainda há um bando, pelo menos um, que pensa.
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O discreto sorriso das comprometidas



Há, nas mulheres comprometidas mas infelizes, o terrível sorriso das esperanças. Pelo menos, para aquelas que ainda não se esqueceram de querer ter algo que, por ora, não têm.

Dão-se a esses sorrisos nos lugares mais intensos, como os elevadores do El Corte Inglès, nos semáforos, nos passeios onde, depois, se encostam aos prédios e seguem o caminho como se tivessem recebido um chamado do 112 da culpa.

Há nas mulheres infelizes o terrível peso social de não puderem deixar. Deixar o que seja, os oitocentos euros, os filhos, o imbecil que gosta do Benfica e da cerveja. Há nessas mulheres um pedaço de esperança interessante, uma música dos Quadrilha ou do Zé Mário Branco, a melhor melodia do Fausto ou da banda sonora do Amélie. Mas há também nelas o profundo desejo de um beijo antes do ventre, de um sorriso antes do mamilo, de um olá antes do corpo pesado com que se casaram se deitar no sofá da sala.

Falta-lhes, assim, a valsa a três passos. Mas essa, só um marcial as dá. Valha-nos Deolinda e o festão.




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A pequena ideia

Há pequenas ideias por todo o lado. Há ideias para resolver a crise. Há ideias para o desemprego, para o desapego, para libertar as taxas do gasóleo. Há ideias para mães solteiras e para um julgamento justo dos políticos corruptos. Há ideias pequenas para aumentar o subsídio de desemprego, para melhorar o salário mínimo, para fazer uma história para a TV. Há pequenas ideias para a próxima legislatura, pequenas ideias para lidar com Hugo Chavez.

Há pequenas ideias de humor, há ideias quase inexistentes de tudo.

Mas não há grandes ideias. Avassaladoras, inspiradoras. Não há ideias arrebatadoras, daquelas que podem mover milhões. Estamos sem grandes elans, sem um grande objectivo. Não sentimos em nós o grande peso da dinâmica, de querer avançar, de mudar o que existe.

Passar para as energias alternativas e por os carros a consumir coisas renováveis não é uma grande ideia, é uma questão técnica. Acabar com a crise financeira não é uma grande ideia, é uma necessidade a curto prazo.

Mas aquelas grandes ideias que levaram às grandes guerras, aos hippies, à revolução política, às expressões que se firmaram, como Make Love Not War ou o economicista New Deal, essas não aparecem. Hoje, a Revolução dos Cravos não seria. Não há nada que una os portugueses, quanto mais o mundo. A dissipação de coisas comuns através da net não conferiu aos povos um novo modo de pensar. Estamos na fase de absorção, mas há momentos em que ficamos a olhar para o browser sem mais caminho.

A atenção humana está reduzida a oito minutos, sejam eles na rádio, na tv, no computador, no cinema.

A grande preocupação com o dinheiro e a capacidade de nos ligarmos a outros através da net levou a que as pessoas se fechassem em casa, na grande ilusão de que estaríamos protegidos da crise e, ao mesmo tempo, em comunhão de facto com o mundo.

Só que, enquanto isto acontece, a maioria está a ficar solitária, sem saber o nome do dono do café da frente, sem imaginar o que se passa no bairro e na cidade. Os que resistem já não fazem tertúlias desinteressadas. Os que se reúnem ainda são aqueles com desejo de poder - nas mais diversas áreas - e com o fito único da conquista pela conquista.

Se pudéssemos fazer uma radiografia aos desejos, hoje o salve-se quem puder estava no cérebro da maioria. Há uma cobardia generalizada para a partilha mas, ao mesmo tempo e paradoxalmente, uma necessidade de partilha.

A falha está, assim, nos níveis de confiança. Pouco confiamos em nós e nos outros. Em nós, porque temos medo de falhar as expectativas externas. Nos outros porque eles, como nós, padecem do mesmo mal e, ainda por cima, sabem que confiar é depositar em mãos alheias as chaves do carro.

É preciso uma força mobilizadora, uma ideia global, um projecto inovador, uma força tão nova, tão original, tão concreta, que traga de novo as gentes à soleira da porta.
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Há filmes assim



Paris está, entre outros, no King. Vê-se bem à meia-noite, depois de um dia intranquilo e prossegue-se melhor com uns poemas de Baudelaire, do Paris Spleen, como é sugerido no próprio filme, ou de Seamus Heaney.
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Vá, não digam que não desconfiavam...



Parece que o Heider era gay. Parece que um tipo chamado Petzner veio confessar que o austríaco era o homem da sua vida. Mas quem somos nós, tugas, para nos escandalizarmos com um homem de direita gay?
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aí vai poema

E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia


Al Berto
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Small Town Values

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Pequeno plano

Pega-se num país

Salda-se o problema da pobreza, pagando às pessoas por trabalho necessário: da jardinagem à consultoria

Salda-se o problema do investimento garantido às PMEs um período de nacionalização de dois anos iniciais, com salários assegurados

Exige-se um ratio de 1:3 nos empréstimos aos bancos

Elevam-se as taxas dos lucros e baixam-se as taxas directas do trabalho

Cobra-se sobre as mais valias o dobro

Criam-se programas de cidadania e debate de proximidade

Estatiza-se mais a liberdade, entregando porém aos privados esse serviço público

Desiste-se imediatamente dos projectos megalómanos e assenta-se que há 20 mil milhões à disposição da investigação das Tecnologias da Energia

Reduz-se a câmara baixa para 121 representantes e cria-se uma câmara alta com 37

Separa-se a eleição da câmara baixa - de onde sai o governo - da câmara alta, de onde sai a fiscalização maioritária do exercício executivo

Cria-se a regra simples de que cada eleitor, ao fim de 24 meses de mandato cumprido, pode ir à Junta de Freguesia reclamar o seu voto de volta. Quando 80 por cento dos eleitores o fizerem, o órgão que fica sem apoio cai e é marcada nova eleição

E estas são apenas algumas, poucas, ideias.
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Gamaram o cérebro ao Sousa Tavares



«"Levaram o meu coração e o meu cérebro", diz o autor de Equador» ao Diário de Notícias.

Já desconfiávamos. Pensámos, porém, que os tinha perdido, não que tinham sido roubados.
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Safa!

Com a entrega do texto da contracapa, acabaram-se os 12 ERROS. Agora é esperar que saia bem e que o povo adira. E que os críticos não desfaçam o livro antes deste ter uns 400 exemplares vendidos.

Os bonecos desenhados pelo Ricardo Cabral, estão lindos.
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Oito da manhã




Quero daqui agradecer aos jovens ou adultos ou séniores que tiveram a delicadeza de, na madrugada de ontem, me assaltarem o carro e gamarem o telemóvel, depois de eu o ter deixado bem à vista, porque estava a correr com antibióticos e xaropes em catadupa para o André, que está com uma amigdalite enorme.

Quero ainda deixar um abraço a todos os fabricantes de vidros, uma vez que, só em Outubro, vou na substituição de três janelas do carro, uma vez que, à primeira, foi o motor do vidro que pifou e partiu o dito e, agora, isto. Graças a deus que há vidreiros.

Mando também um forte abraço à Cruz Vermelha Portuguesa que, apesar de cobrar anualmente o seguro de saúde, acha que uma pessoa não pode mudar de casa e cobra uma franquia muito simpática se pedirmos um domicílio.

Quero ainda dizer que admiro bastante o trabalho da PSP, que olhou para a viatura vandalizada e colocou a melhor cara de solidariedade e, apesar de provas mais do que evidentes que qualquer maluco que visse o CSI podia ali tirar impressões digitais, optou por informar-me sobre o prazo que tinha para fazer queixa e aproveitou para apanhar sol.

E, claro, fica também um abraço à Zon TV Cabo, que tem um serviço telefónico que não permite que se ligue nem para o número da Vodafone nem para a Carglass nem para coisa nenhuma começada com os prefixos 800 ou 707 ou 808 ou, então, aqueles de apoio normal, que as empresas têm.

E isto não eram, sequer, oito da manhã. Não posso esperar pelo resto do dia...
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Um velho guerreiro ferido



Esta é a foto de que Powell fala



O que importa aqui é que Powell podia estar calado ou mesmo ser candidato pelo partido Republicano. Nem uma nem outra. Powell foi o homem mais enganado do mundo, quando na ONU cria que falava verdade sobre as armas de destruição massivas de Saddam Hussein.


(veja a continuação, seguindo os links do vídeo)

Powell veio depois dizer que fora enganado.



E um herói de guerra, um militar de sucesso, não gosta de fazer figura de urso. Por isso, nem com McCain, um homem que sempre se disse um fora-de-ordem, ele perdoa aos Republicanos. A paga de um bom soldado a uma má hierarquia é esta. E por muito que Matt Drudge queira colar a opção de Powell à raça (ou à cor de pele), esse argumento é completamente imbecil. Se Powell não tivesse sido usado, talvez colasse. Assim, nem pensar.

Obama está cada vez mais presidente.
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Barack McCain

O último debate entre os candidatos presidenciais nos Estados Unidos teve o dom de revelar um Barack passivo-agressivo, mas que não tem a tarimba necessária para responder à bruta, sem ter medo de irritar os ouvintes. Não sabe fazer piadas nem dar a volta ao texto. Isto é perigoso, porque revela uma personalidade muito complicada, que quando explode deve ser o vê-se-te-avias... Barack não é o presidente dos EUA que aparece no 24. É outro, a sério.
McCain perdeu uma boa hipótese de irritar Barack. Tentou, à moda antiga, mas não conseguiu. Pode ter perdido ali as eleições, mas recuperou algum respeito, até daqueles que preferem Obama mas pensam que já é tempo de alguém lhe tirar o ar de Guterres...
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Quase lá

O livro está pronto, mais frase menos frase. Foi aligeirado e está cada vez com menos páginas. Ainda não há capa, nem data de lançamento. Eu e o Rui já deitamos a História de Portugal pelos olhos. Mas segunda de manhã lá estará a coisa entregue na Guerra e Paz para que possa ser revisto, aprovado e, eventualmente, editado.

O Ricardo Cabral tem umas ilustrações fabulosas que, aconteça o que acontecer, hão-se acabar numa exposição qualquer.

Falta-nos o prefácio e o pósfácio, do João e do Fred.
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Reactivação

TRÊS... DOIS... UM...

JÁ ESTÁ
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